segunda-feira, 30 de julho de 2012

O que sonho quando estou acordada

Estive num lugar estranho, começou num dia ensolarado a imagem que eu via era de uma porta branca de madeira nova com um vitral transparente e uma estrutura pequena no meio desta porta segurava um cristal que estava submerso em um líquido amarelo, não sei ao certo se o líquido ou o cristal é que eram amarelos, pela lateral da parede há muitas folhas de um jardim antigo mas cheio de folhas novas e viçosas, verde escuro, desprende-se um galho de uma trepadeira com folhas em formato mais arredondado no meio afinando-se na ponta, sigo para a lateral da casa rumo ao jardim, tudo me parece antigo demais porém fresco, cheio de viço, olhando para o meio daquela vegetação que é alta e quase que fecha-se em paredes de vários tons de verde e cores de flores de tamanhos e formatos diversos, creio ver criaturas feitas desta matéria, com contornos próximos ao contorno de corpos humanos, em princípio são só sombras, visões de relance, e há um sentimento agradável, De quase fábula infantil, mas aos poucos os contornos vão ficando mais delineados e uma figura que parece coberta por um arbusto com pequenas flores roxas, aparece mais visivelmente, a princípio me encanto, mas sua expressão não é amigável, ando um pouco mais por entre este jardim, passo por um corredor de cercas vivas, o dia é ensolarado e o lugar muito belo, ao fim deste corredor há uma cesta de vime, vejo apenas parte da cesta como se minha visão fizesse um zoom e um recorte da imagem, desta cesta envolta em panos claros em tons azulados há uma criança que não é bem uma criança, vira-se para mim e eu me assusto tem olhos negros e boca sem lábios, parece uma mistura de humano e cobra. Num segundo estou dentro do jardim de folhas verde escuro, e me enfio para dentro dele que vira um bosque, muito fechado de vegetação e árvores, no chão há uma formação quase que como areia movediça, mas, é feita de algo que me parecem grãos, o buraco começa a sugar-me dele saem mãos e braços feitos desta mesma matéria, passo por este lugar como se caísse em um saco cheio de grãos de soja, onde houvesse um furo no fundo, sou sugada e logo estou em outro lugar mais escuro ainda, tudo cinza, tento ver o céu, mas é só uma massa espessa de fumaça cinzenta, tudo é sombrio, vejo no fundo como se fosse um cume uma luz que poderia ser de uma fogueira, mas há apenas o reflexo amarelado da luz, a frente deste cume imagens de criaturas, creio que mulheres vestidas em panos escuros farrapos, um pouco lodosos até, quatro figuras, um galho de madeira e algo que poderia ser uma ave sobre ele. Bruxaria! Exclamo eu. Neste momento me dou conta de que isso pode ser uma viajem ao passado e de que eu pertencia a estes rituais era também uma bruxa, e não uma fada, era maléfica. Percebo que ali neste lugar escuro há outras criaturas, uma mulher especificamente que agora percebo está me mostrando o caminho me fazendo ter consciência de quem eu sou, de quem eu fui, eu a matei, percebo, e a vejo sem cabeça jogada no rio. Olho noutro canto e há várias outras criaturas torturadas, desfiguradas, queimadas, uma tem o corpo apenas até o quadril, está incandescente, como o ferro ao fundir-se e rasteja para dentro de uma fogueira, outras tantas estão indo para o mesmo lugar, nenhuma delas tem consciência de onde está, ou de quem é exceto essa que me mostra tudo, eu roubei isso delas, começo a chorar e quero lhes pedir desculpas, perdão, mas elas não me veem não me escutam, continuo chorando. Estou imediatamente em outro ligar uma biblioteca antiga, toda em tom ocre, uma mulher com uma capa escura mas não negra desce as escadas, não há saída as escadas só levam para baixo, tento voltar vejo num canto próximo a uma estante com um livro na mão um homem, que não é bem um homem, é barbudo e parece uma cabra, tem chifres e também é do mesmo tom ocre de toda a cena, quero sair dali, volto para o lugar cinzento de fumaça espessa no lugar do céu. A mulher, a que me mostra o caminho cai sem cabeça e nua no rio, rio estreito e cheio de curvas, mas algo nela se desprende deste corpo e aloja-se em minha costela do lado esquerdo, um pouco acima do quadril, uma borboleta azul anil, se desfaz e cai também no rio produzindo vários riscos azul neon, sobre o corpo e sobre as águas, quero sair, não consigo. Abro os olhos