
Signo Sagitário (pessoa de natureza livre, aventureira, espontânea, forte, dificuldades para se manter em um único lugar ou relacionamento)
Ascendente Capricórnio (pessoa, de natureza organizada, racional, prudente)
Lua em Câncer (pessoa completamente romântica e apaixonada, capaz de se anular em prol do ser amado).
Eu Vida Santos, sou astrologicamente dúbia e contraditória, assim como vida segundo o dicionário Aurélio: O tempo de existência ou de funcionamento de uma coisa; O que representa força ânimo vitalidade; O que sendo inanimado, transmite ideia de vida; Estado ou condição do espírito depois da morte...
Assim como uma série de significados para a palavra vida, me sinto eu Vida Santos, dependendo do dia sou vilã, amante, criança, incrível Hulk, assassina, patética, chorona, feia, sonhadora, complicado não?! Voltemos a infância, lembro-me de ter muitos amigos imaginários, na verdade uma cidade inteira só deles, para onde fugia todas as tardes no quintal gigantesco do sítio, gostava de coisas simples, sol, banho de cachoeira, correr, andar a cavalo, subir em árvores, brincar de nave espacial, balanço, tudo isso com meus amigos imaginários, pois bem é chegada a hora de ir pra escola, bicho do mato tem medo de gente. Tinha medo de falar com os outros, as meninas eram tão bonitas, bem penteadas, laço de fita e chatinhas, os meninos, bestas.
Eu ficava vermelha e gaguejava quando precisava falar em público, magrela, desajeitada, roupas de gente do sítio, cara de gente do sítio, modos de gente do sítio. Fui motivo de chacotas, piadas risadas, “Olívia Palito”, “Pau de virar tripa”, ficava calada, chorava escondido a noite, para que ninguém soubesse, tive pena de mim, usava apenas calça comprida não importava o calor, tinha vergonha das pernas magras e longas, minhas camisetas eram enormes, para esconder os enormes braços, tinha monocelhas, evitava sair a rua e quando enfim retornava para casa, que alívio, um quintal enorme só pra mim, falava com os cachorros porco, gatos, galos, cobras, ratos, colocava aranhas para brigarem com escorpião, ah e tinha a minha mangueira, como era bom estar nela, melhor que qualquer outro lugar do mundo. As piadas e humilhações não paravam, acabei me juntando ao grupo dos exilados, negros, pobres, nerds, mas o meu silêncio foi causando em mim uma sensação desconhecida, de calor na nuca, minha mandíbula travava, meus punhos fechavam, era raiva, muita raiva, que um dia teve vazão na forma de violência, quando um colega de escola ficou zoando minha amiga negra, disse a ele: - Cala a boca, se não vou quebrar a tua cara!
Ele respondeu: - Você e mais quantos magrela?
Os outros riram, fiquei vermelha e me atirei encima dele, esmurrando sua cara, ele caiu no chão e eu comecei a bater a cabeça dele na parede até quebrar seu nariz, a cada soco me sentia melhor o sangue dele me fez esboçar um sorriso. Foram necessárias cinco pessoas para me tirar de cima dele, naquele dia descobri uma forma de mantê-los afastados, me sentia forte, livre, não era mais a magrela, a partir daí a tudo que me incomodava respondia com violência, brigava no colégio e sempre batia mais do que apanhava, era muito magra e, portanto mais rápida, mas, sobretudo tinha a meu favor um ódio ancestral, ao que as professoras, diretoras e coordenadoras do colégio atribuíam a ausência do pai que a abandonou. Sim meu pai havia ido embora de casa com a vizinha quando eu tinha quase 6 anos, lembro que ele me levava pra andar de moto todas as tardes, que me trazia doces, que me exibia aos outros, cheio de orgulho. Sei que quando ele foi embora, fiquei doente, de cama mesmo, tinha febre, não comia, minha mãe tentava falar com ele pra que ele fosse me visitar, ele não foi, sempre tinha desculpas, então um belo dia eu do alto dos meus quase seis anos, levantei da cama e disse a minha mãe:
- Mãe, eu não vou mais ficar doente, nem chorar, eu sei que o pai me ama e quando ele puder vai me visitar.Depois deste dia só chorei de dor.
O fato é que eu mal lembrava de meu pai ou da ausência, a não ser nas cretinas datas de dia dos pais e lálálá, nas quais eu sempre me recusava a fazer as atividades.
Minha violência era apenas a minha forma de expressão e de autodefesa, era ela que me mantinha a salvo, era a única coisa que eu sabia usar, ou quase isso, comecei a me preocupar com ela num dia em que por um motivo tão tolo que nem me recordo, comecei a bater portas e gavetas, esmurrar as coisas, num descontrole tão absurdo que só me ative quando parei com a porta do banheiro nas mãos, eu a havia arrancado da parede com parafusos e dobradiças, isso não é bom, pensei, parei assustada, eu tinha por volta de 15 anos e pesava 47kg, não poderia ter arrancado aquela porta. Que absurda violência e raiva eu tinha sufocado dentro do peito que quando tomava forma, não tinha limites? Até hoje não sei e até hoje a tenho, guardada, escondida, mas não domada. Depois deste fato minha violência ficou na palavra, que também me mantinha a salvo, mas a salvo de que?
Tenho um exercício diário de não dizer tudo que penso o tempo todo, de não quebrar tudo que quero, minha violência verbalizada agora tem forma de textos que escrevo num blog. O fato é que na imagem de gladiador destemido há um escravo sem família, que tem medo do leão, que o mata porque essa é sua forma de sobreviver todos os dias.
A figura Vida que tem fama de ser sutil como um mamute, também é a mesma figura, que chora sozinha às escondidas a noite, que sente a falta de um abraço não dado, de um sorriso não retribuído, que tem uma autocrítica tão devastadora que a faz contestar sua própria existência.
Vida, a que a morte não quis e a quem a vida testa os limites diariamente.
Vida: eu sou o Jayro, que no improviso, no tablado do Mauro Zanatta, disse uma vez: A Vida é Bela! (Fazendo intuitivamente, uma ligação da tua personagem existencial (Vida) com o filme de Roberto Begnini. E pelo que li, minha intuição estava certa.
ResponderExcluirMeu e-mail e messenger: jayrodearaujo@hotmail.com, e eu gostaria que vc me adicionasse. Um beijo carinhoso do Jayro!