Aqui você encontrará minhas neuras, sonhos, angústias, desejos...sejam bem vindos a minha cabeça.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Segredado
Saio do meu próprio corpo através do orgasmo e sinto as lágrimas escorrerem sobre meu rosto, converso com ela que está em minha mente, digo que sei que ela me falou pra não chorar a solidão, pra que eu encontrasse alguém por quem valesse a pena permanecer. Sou torpe e sempre cometo os mesmos equívocos, ninguém é capaz de me libertar se nem eu mesmo o faço. Minha alma sensível e doce esta escondida em algum lugar dentro de mim e só se manifesta nestes meus momentos de extrema solidão, talvez por medo de que ao parecer sensível, pareça frágil demais, talvez por eu ter escondido tanto isso de mim que não sei voluntariamente como acessar.
Os olhos, as mãos, os outro sempre me atraem, mas nunca o suficiente para permanecer.
Na incredulidade da existência do amor busco o sexo como alento para meu corpo, vê que minha alma está absorta, vagueando etérea em mares distantes.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
TERMOSTATO
Sou eu termostato de mim, hoje dia cinza e chuvoso traz em seu ar gélido, nuvem carregada sobre meus olhos, pés gelados, pelos arrepiados, sentimentos adormecidos sempre retornam em dias assim. As despedidas, os desesperos, falta calor para aquecer meu corpo quase reptiliano. Sou um animal solitário no convívio com os demais por necessidades sociais. No anseio de não mais estar só, mergulho no mais profundo de mim e encontro água, muita água vertendo em lágrimas o que a boca, não sabe falar. O som da chuva num compasso com minha respiração são pura melancolia, meia luz, telefone, mudo, eu mudo e permaneço ...
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
FÚRIA
Hoje meus olhos sangram, tenho mágoa no peito, e uma fúria ensurdecedora toma conta de mim, vontade de causar terremotos, maremotos, prefiro não confiar aos outros meu coração, pois ele é feito de carne e sangra, talvez eu estivesse de fato enganada a seu respeito, deslumbrada com a possibilidade de encontrar alguém bom de fato, que pudesse também ser bom pra mim,mas teu egoísmo surreal é como um buraco negro pronto pra sugar tudo de bom de quem se aproxima. Tenho que avisá-lo porque me resta ainda por ti alguma consideração, te matarei em breve, meu peito amontoado de dor enfurecida irá mutilá-lo completamente até que não sobre nem mesmo uma gota do teu sangue em mim, posso amar tão completamente quanto posso infringir dor, chega de bondade e conveniência para quem não me conhece, não me respeita, esse é meu grito, não me doarei tanto, não mais, não quero esperar e não sei apenas doar, ao menos não por muito tempo, então agora aqui fica claro que estou começando a matar-te em mim, para logo em seguida matar-te de fato.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Instante

Quando te vi pela primeira vez você dançava, movimentos suaves e delicados, não pude parar de olhar, como sorria ao dançar estava inteira completa perfeita, quando parou de dançar veio em minha direção, eu estava ao lado do bar, seu olhar cruzou com o meu, e atingiu penetrante minha alma, estremeci, como queria despi la, beijá-la, ofereci uma bebida, você riu e aceitou, não trocamos quase palavras, só olhares e sorrisos, não sei seu nome. Seu beijo era macio profundo, seus cabelos tinham um cheiro envolvente, o toque de sua pele era macio, excitante.
Foi um pequeno encontro, um instante onde te amei, não sei o que seria além dali e tão pouco importa esta sensação ficará gravada em mim para sempre e isto basta.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Identidade e Subjetividade

Signo Sagitário (pessoa de natureza livre, aventureira, espontânea, forte, dificuldades para se manter em um único lugar ou relacionamento)
Ascendente Capricórnio (pessoa, de natureza organizada, racional, prudente)
Lua em Câncer (pessoa completamente romântica e apaixonada, capaz de se anular em prol do ser amado).
Eu Vida Santos, sou astrologicamente dúbia e contraditória, assim como vida segundo o dicionário Aurélio: O tempo de existência ou de funcionamento de uma coisa; O que representa força ânimo vitalidade; O que sendo inanimado, transmite ideia de vida; Estado ou condição do espírito depois da morte...
Assim como uma série de significados para a palavra vida, me sinto eu Vida Santos, dependendo do dia sou vilã, amante, criança, incrível Hulk, assassina, patética, chorona, feia, sonhadora, complicado não?! Voltemos a infância, lembro-me de ter muitos amigos imaginários, na verdade uma cidade inteira só deles, para onde fugia todas as tardes no quintal gigantesco do sítio, gostava de coisas simples, sol, banho de cachoeira, correr, andar a cavalo, subir em árvores, brincar de nave espacial, balanço, tudo isso com meus amigos imaginários, pois bem é chegada a hora de ir pra escola, bicho do mato tem medo de gente. Tinha medo de falar com os outros, as meninas eram tão bonitas, bem penteadas, laço de fita e chatinhas, os meninos, bestas.
Eu ficava vermelha e gaguejava quando precisava falar em público, magrela, desajeitada, roupas de gente do sítio, cara de gente do sítio, modos de gente do sítio. Fui motivo de chacotas, piadas risadas, “Olívia Palito”, “Pau de virar tripa”, ficava calada, chorava escondido a noite, para que ninguém soubesse, tive pena de mim, usava apenas calça comprida não importava o calor, tinha vergonha das pernas magras e longas, minhas camisetas eram enormes, para esconder os enormes braços, tinha monocelhas, evitava sair a rua e quando enfim retornava para casa, que alívio, um quintal enorme só pra mim, falava com os cachorros porco, gatos, galos, cobras, ratos, colocava aranhas para brigarem com escorpião, ah e tinha a minha mangueira, como era bom estar nela, melhor que qualquer outro lugar do mundo. As piadas e humilhações não paravam, acabei me juntando ao grupo dos exilados, negros, pobres, nerds, mas o meu silêncio foi causando em mim uma sensação desconhecida, de calor na nuca, minha mandíbula travava, meus punhos fechavam, era raiva, muita raiva, que um dia teve vazão na forma de violência, quando um colega de escola ficou zoando minha amiga negra, disse a ele: - Cala a boca, se não vou quebrar a tua cara!
Ele respondeu: - Você e mais quantos magrela?
Os outros riram, fiquei vermelha e me atirei encima dele, esmurrando sua cara, ele caiu no chão e eu comecei a bater a cabeça dele na parede até quebrar seu nariz, a cada soco me sentia melhor o sangue dele me fez esboçar um sorriso. Foram necessárias cinco pessoas para me tirar de cima dele, naquele dia descobri uma forma de mantê-los afastados, me sentia forte, livre, não era mais a magrela, a partir daí a tudo que me incomodava respondia com violência, brigava no colégio e sempre batia mais do que apanhava, era muito magra e, portanto mais rápida, mas, sobretudo tinha a meu favor um ódio ancestral, ao que as professoras, diretoras e coordenadoras do colégio atribuíam a ausência do pai que a abandonou. Sim meu pai havia ido embora de casa com a vizinha quando eu tinha quase 6 anos, lembro que ele me levava pra andar de moto todas as tardes, que me trazia doces, que me exibia aos outros, cheio de orgulho. Sei que quando ele foi embora, fiquei doente, de cama mesmo, tinha febre, não comia, minha mãe tentava falar com ele pra que ele fosse me visitar, ele não foi, sempre tinha desculpas, então um belo dia eu do alto dos meus quase seis anos, levantei da cama e disse a minha mãe:
- Mãe, eu não vou mais ficar doente, nem chorar, eu sei que o pai me ama e quando ele puder vai me visitar.Depois deste dia só chorei de dor.
O fato é que eu mal lembrava de meu pai ou da ausência, a não ser nas cretinas datas de dia dos pais e lálálá, nas quais eu sempre me recusava a fazer as atividades.
Minha violência era apenas a minha forma de expressão e de autodefesa, era ela que me mantinha a salvo, era a única coisa que eu sabia usar, ou quase isso, comecei a me preocupar com ela num dia em que por um motivo tão tolo que nem me recordo, comecei a bater portas e gavetas, esmurrar as coisas, num descontrole tão absurdo que só me ative quando parei com a porta do banheiro nas mãos, eu a havia arrancado da parede com parafusos e dobradiças, isso não é bom, pensei, parei assustada, eu tinha por volta de 15 anos e pesava 47kg, não poderia ter arrancado aquela porta. Que absurda violência e raiva eu tinha sufocado dentro do peito que quando tomava forma, não tinha limites? Até hoje não sei e até hoje a tenho, guardada, escondida, mas não domada. Depois deste fato minha violência ficou na palavra, que também me mantinha a salvo, mas a salvo de que?
Tenho um exercício diário de não dizer tudo que penso o tempo todo, de não quebrar tudo que quero, minha violência verbalizada agora tem forma de textos que escrevo num blog. O fato é que na imagem de gladiador destemido há um escravo sem família, que tem medo do leão, que o mata porque essa é sua forma de sobreviver todos os dias.
A figura Vida que tem fama de ser sutil como um mamute, também é a mesma figura, que chora sozinha às escondidas a noite, que sente a falta de um abraço não dado, de um sorriso não retribuído, que tem uma autocrítica tão devastadora que a faz contestar sua própria existência.
Vida, a que a morte não quis e a quem a vida testa os limites diariamente.
terça-feira, 1 de março de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Objeto de desejo

Às vezes é necessário matar em nós nosso objeto de desejo, a fim de conseguir uma certa autonomia de nosso próprio destino. Nunca soube lidar muito bem com as frustrações em torno disso, a maneira que entendo de matar o objeto, é matando-o de fato, pois bem. Dias quentes na terra fria, desejo de reviver calores de outros ares, corpo dilacerado de desejo, desejo de violências, de duelo, de domínio, necessidade física e psicológica, tremo, imagino e tento dominar e não ser dominada...
...Um suspiro, nenhum cigarro, (maldita asma), dia chuvoso, minha imaginação me leva longe no deleite de prazeres que começam por arrepiar meu pescoço, faço um mosaico, com imagens de diferentes momentos e corpos, a mordida na nuca, a imobilização, mel, vendas, sons, lugares, sussurros, texturas, aromas, volumes, meu corpo explode de prazer num contorcer de pernas. Segundos depois de completa escuridão, retorno a mim com a consciência total de quem sou, não é uma questão de dominar ou ser dominada, mas sim de aceitar-se, liberta-se com vontade das amarras sociais e assumir a fúria, abrir as asas e saltar do precipício, sentir o desespero e o prazer da queda, para levantar voo no último instante.
Abro os olhos, vejo na cabeceira da cama “Assassinatos na rua Morgue”, presente de aniversário, abro uma gaveta da cômoda e lá estão vários artigos eróticos, filme na estante: Pulp Fiction. Penso, esse é meu universo, essa sou eu, instinto absoluto, busca por prazer e um certo niilismo.
Sentindo-me quase absoluta em minha existência, lembro-me de ti e penso em tudo que o encontro de nossos corpos desperta em mim, de como o meu desejo por você aumenta mais e mais o meu desejo de desejar, você é a melhor representação do precipício. Preciso encontrá-lo penso eu, num maravilha-se quase desesperador. Começo a arrumar tudo para recebê-lo, mas que fique claro, que pareça casual, lençóis, vinho, óleo de massagem, decote, lagerie, dias frios e corpos quentes, suados, prazer absoluto, entrega completa. Você conhece meu corpo quase melhor que eu, o entende o excita de uma maneira quase sublime, você, meu objeto de desejo, meu deleite e também minha perdição, neste instante um pensamento vem a minha cabeça tomando-me por completo: “Aceite-se, seja o que de fato é”.
De frente para você, num quase enlouquecer de desejo pelo seu corpo entre minhas coxas, deslizo minha mão sobre suas costas e alcanço debaixo do travesseiro o picador de gelo e cravo fundo em seu pescoço. Meu prazer é potencializado quando verte de seu corpo caudaloso e instigante o vermelho vivo e quente, não respondo por mim, atiro-me sobre seu pescoço sorvendo o suave líquido que o torna parte de mim e agora todo eu. O amor e o desejo que lhe tenho são fatais...
Assinar:
Postagens (Atom)



