
Sempre achei bobo isso de sextas feiras treze serem de ritos de horror, estes tipo cine trash.
O que esperar de um dia assim? Assassinatos, crueldades, festas a fantasia com sangue de groselha e teias de aranha artificiais? Opa! acho que isso é dia das bruxas... Que seja.
Nunca havia me acontecido nada de sombrio nesta data, mas 13 de agosto de 2010 sexta feira...
...Pés descalços, maltrapilho, alucinado, lábios rachados de crack, bolsas debaixo dos olhos, noite quente, cidade quente, solidão, angústia, desespero profundo, não sei o que você viu, o que pensou, imagino o que possa ter sentido, mas não sei, nunca saberei, ninguém saberá. Uma corda, uma árvore, nenhum pedido, nenhum abraço e assim você se foi, enforcado ao pé da árvore no centro da cidade de Sorriso-MT. Vi seu corpo três dias depois, em seu velório, tão magro, tão morto, irreconhecível! Beijei-lhe a face arroxeada pelo início do estado de putrefação, sinto ainda em meus lábios o gosto frio e húmido de sua carne, a marca profunda que a corda deixou em seu pescoço. Fingi ser forte, consolei sua mãe, sua avó, peguei em sua mão fria e dura, e num segundo me lembrei de nós andando de bicicletas novas, tomando sorvete, banho de rio, fiquei tonta, tive de sair da sala, fui até o quintal, cabeça baixa só via a grama e as raízes de uma árvore, não pude me conter mais caí num choro desesperado e fui ao chão num desespero absoluto, não queria acreditar, não podia acreditar, senti culpa, raiva, revolta, medo, saudades, muitas saudades. Você sempre foi tão calado, que eu acabei por me calar também e não lhe disse o quanto te amava. Hoje como que para tentar remediar o irremediável sussurro todas as noites antes de dormir o quanto te amo meu querido irmão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário