
Certa tarde estava no café como de costume, tomando meu expresso e observando ao redor enquanto folheava um livro, de repente algo me chamou a atenção, um jovem rapaz de olhar curioso, observador. Entra um outro garoto, compra um maço de cigarros e sai, os dois se olham rapidamente, logo o rapaz que estava sentado, meu ponto de observação que a partir de agora chamarei de “R”, sai também do café, não resisti e o segui.
Aquele olhar, tão familiar, sabia o que significava, mas necessitava de uma confirmação.
O garoto subiu a rua e virou a esquerda, logo em seguida R fez o mesmo percurso. Entraram um após o outro em um cine pornô, desses bem decadentes, fiquei parado do outro lado da rua numa lanchonete, não parecia fazer muito sentido para mim, aquele olhar, aquele olhar, a entrada no cine não o explicava, ou será que havia me enganado, será que apenas quis acreditar em um significado familiar a mim? Não sabia, mas resolvi esperar mesmo assim. Pouco tempo depois R sai de lá sozinho esboçando uma certa tranquilidade e satisfação. Estava fascinado por aquela figura, então o segui um pouco mais, ele entrou em um prédio no centro da cidade poucas quadras dali, um residencial, classe média alta fiquei ali em baixo vagando pela rua por algum tempo, depois desisti, fui para casa.
Tentei dormir, não conseguia, aquele olhar... Dia seguinte, quando estava no café, aparece novamente R, ele entra, senta-se numa mesa de frente para a porta, eu para ficar o mais natural possível pego um jornal da mesa e começo a ler, quando vejo uma foto do rapaz que acompanhara R no dia anterior, a reportagem é sobre um assassinato com requintes de crueldade, feito na tarde anterior no Cine Pornô, logo pensei naquele olhar. Os órgãos genitais da vítima haviam sido removidos e não estavam na cena do crime. Eu tinha razão, fiquei excitado com a notícia, mas poderia demonstrar isso, não agora, não ainda.
R toma seu café olhando para a rua, paga a conta e sai, eu o sigo com o olhar sob o jornal, até que ele se distancie, então pago minha conta e saio também. Ele está sentado no banco de uma praça, fico de longe num botequim que me dá um bom ângulo de visão, um rapaz de camiseta branca senta-se ao lado de R, eles conversam por um breve momento e logo saem, o mesmo destino de antes, um cine pornô.
Espero paciente R sair de lá sozinho com aquele olhar de satisfação, e ele sai, tenha paciência penso eu, sei onde ele mora, sei onde ele “caça”, espere o momento oportuno, espere o próximo jornal. É exatamente o que faço, vou para casa me ocupar de qualquer coisa, enquanto penso na melhor abordagem...
Nenhum comentário:
Postar um comentário