quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Vida e o Sexo

A vida e o Sexo, poderia até render título de algum filme ou livro, mas é simplesmente minha relação com o sexo.
Neste assunto sou completamente animal, instinto, desejo, é a busca incessante pelo prazer que me move.
A sexualidade surgiu em mim antes de eu conseguir reconhecê-la, rendeu me problemas, os pais de minhas colegas de escola acabavam sempre por me dizer coisas que eu não gostava de ouvir a me olharem como se eu fosse um bife, mas eu não tinha reação para isso, o que poderia fazer? Dizer a minha colega que pedisse par seu pai parar? Ignorava sempre os fatos e seguia como se não houvesse entendido. Apesar disso acabei por conhecer o sexo com 18 anos, sabia do que se tratava, tinha vontade, mas não sabia se estava pronta e não por ter uma educação castradora, simplesmente porque me ocupava tanto com outras coisas, saía com meus amigos dançava, dançava muito, voltava exausta e feliz, me parecia o bastante. O primeiro ato, um estupro, trauma, culpa, fobia e alcoolismo. Até encontrar alguém que me amasse pela primeira vez, amor no sentido de respeito, de cuidado, pessoas se encontram e se afastam, novos encontros, novas descobertas.
Nunca fui de me apaixonar por ninguém, era eu que ia embora, era tudo por conta do meu desejo, desejo que se fez grande o bastante para engolir minha individualidade, para tornar-se eu, meu desejo nunca foi criterioso, queria apenas gozar, era tudo, qualquer pessoa que pudesse proporcionar isso era recebida, lambida, comida, até que surgisse o desejo de algo novo, de alguém novo, de brinquedos, posições e fetiches novos.
Fui ao estremo do meu desejo e criei para mim armadilhas, perdi meu amor próprio, esquecida em meio a este turbilhão de desejos, perdida em minha própria vida já não fazia nada do que almejara fazer, tentei a morte, não fui competente pra isso, talvez até porque no fundo gostasse muito de viver, mesmo sem saber bem como fazer isso. Me apego a certas coisas e as faço de mais, quando bebi, bebi de mais, quando fumei, fumei de mais, agora quero ser normal, espero não ser normal de mais.
Vez em quando meus demônios tomam forma de desejo e eu me entrego ao deleite em busca de prazeres lascivos, mas hoje sei quem sou.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ANTROPOFÁGICO (mini contos quase eróticos)



Uma surpresa foi o que prometi, dias imaginando o que poderia ser de fato tal surpresa, não o conhecia tão bem para lhe dar um presente, então sua mensagem “Tudo que é bom é ilegal, imoral ou engorda”, era o que precisava ...
A primeira coisa do kit surpresa que comprei foi a caixa de madeira que se abre em uma sequência de três movimentos, foi por acaso em uma feira de artesanato, pensando em sua frase minha cabeça fervilhou de ideias, e a palavra imoral, para mim está impreterivelmente ligada a sexo, aí foi só um passo e lá estava eu comprando vela e bolinhas num sex shop, não precisava mais.
Com os olhos cheios de mar, senti teu gosto, teu cheiro,o gosto da tua pele na minha língua, teus olhos percorriam meu corpo e eu me exibia.
Corpos besuntados de óleo da vela, aroma e sabor de chocolate, tudo da caixa de pandora, meu corpo tão completamente seu, desvendado, completo, é assim que sou pensei eu, assim completamente um animal, puro instinto... A cada novo gemido, a cada novo toque meu desejo só aumentava, queria você cada vez mais em todos os momentos, todos os lugares, na mesa, na varanda, na cozinha, orgasmos, risos, arrepios, cigarros, conversas e mais desejo, tudo outra vez, num ciclo vicioso de provocar e fazer rir. Queria-o tanto que pudesse o comeria ali mesmo como uma louva-Deus, sim comê-lo de fato, o que sentia era quase antropofágico. Teus olhos de menino, teu riso malandro, Tupã é assim que o chamarei.Cinco dias na terra do sol, que por sinal converteu-se em chuva, numa nuvem que eu mesma devo ter levado na mala, mas o calor que me era necessário eu tive, de Tupã.

ENCONTRO (mini contos quase eróticos)


Seu corpo branco, seus cílios quase transparentes, sua falta de pelos, essa descrição poderia ser de uma corpo delicado não fosse o fato de que é um homem grande, cabelos fartos, barba por fazer e tatuagens mau feitas, detalhe de uma adolescência rebelde e entorpecida.
Um quarto pequeno, tv ligada num canal qualquer, poucos móveis, alguns livros e textos. Você traz vinho, conversamos sobre coisa pesadas e leves, mas tudo dito e ouvido com muito bom humor e um toque de ironia.
Tenho pressa, gula, raiva, quase todos os pecados capitais (exeto a preguiça e avareza) quando estou só com um homem que desejo, tiro a taça de vinho de suas mãos e me sento em seu colo de frente para você, olho fundo nos teus olhos e começam longos beijos, você gira seu corpo para cima do meu deitando-me na cama, agora começa a parte que mais gosto. O duelo de corpos completos de desejo, os aromas, os sabores, a ânsia por prová-los todos. Mas você percebe meu pequeno grande desespero e ralenta, degustando cada centímetro do meu corpo, num suave dançar de língua e olhares e quando quase não aguento, ebulição.Pés, braços, gemidos, roupas pelo chão, o barulho da cama batendo na parede e logo também taças e a garrafa de vinho no chão, numa explosão de todos os ruídos que culminam no orgasmo.

Sexta Feira13



Sempre achei bobo isso de sextas feiras treze serem de ritos de horror, estes tipo cine trash.
O que esperar de um dia assim? Assassinatos, crueldades, festas a fantasia com sangue de groselha e teias de aranha artificiais? Opa! acho que isso é dia das bruxas... Que seja.
Nunca havia me acontecido nada de sombrio nesta data, mas 13 de agosto de 2010 sexta feira...
...Pés descalços, maltrapilho, alucinado, lábios rachados de crack, bolsas debaixo dos olhos, noite quente, cidade quente, solidão, angústia, desespero profundo, não sei o que você viu, o que pensou, imagino o que possa ter sentido, mas não sei, nunca saberei, ninguém saberá. Uma corda, uma árvore, nenhum pedido, nenhum abraço e assim você se foi, enforcado ao pé da árvore no centro da cidade de Sorriso-MT. Vi seu corpo três dias depois, em seu velório, tão magro, tão morto, irreconhecível! Beijei-lhe a face arroxeada pelo início do estado de putrefação, sinto ainda em meus lábios o gosto frio e húmido de sua carne, a marca profunda que a corda deixou em seu pescoço. Fingi ser forte, consolei sua mãe, sua avó, peguei em sua mão fria e dura, e num segundo me lembrei de nós andando de bicicletas novas, tomando sorvete, banho de rio, fiquei tonta, tive de sair da sala, fui até o quintal, cabeça baixa só via a grama e as raízes de uma árvore, não pude me conter mais caí num choro desesperado e fui ao chão num desespero absoluto, não queria acreditar, não podia acreditar, senti culpa, raiva, revolta, medo, saudades, muitas saudades. Você sempre foi tão calado, que eu acabei por me calar também e não lhe disse o quanto te amava. Hoje como que para tentar remediar o irremediável sussurro todas as noites antes de dormir o quanto te amo meu querido irmão.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Auto Análise


Sinto desejo de ter algo completo, mas estou em pedaços, vejo fragmentos para onde quer que eu olhe.
Sonho com campos repletos de corpos, e a terra, tinta de sangue está estéril, aguardando a vida que surgirá da putrefação dos corpos. Tudo há de morrer um dia assim como eu, mas...
Se sem amor, um homem não é nada, então sou nada, não sei no significado desta palavra, não de fato, tento fazer a coisa certa ser gentil, Cortez, tento sentir coisa boas e só desejar o bem, mas esta não sou eu...
Sou capaz de apreciar uma cena de morte violenta, ver fotos de cadáveres retalhados e enxergar ali, nada além de um amontoado de carne amorfa.Tenho vontade de deixar de existir as vezes, imagino uma lâmina cortando-me bem fundo os pulsos e o sangue descendo caudaloso até o chão, onde forma uma pequena poça. Esta idéia me acalma a ponto de me fazer desistir de executá-la não por medo, mas pelo fascínio que o sangue me causa.
A Fascinação e a calma tomam conta de mim tão completamente que penso “Hora de voltar ao trabalho”.
E lá está a minha linda e jovem presa, com seus grandes olhos assustados, amarrada a uma cadeira implorando piedade, mas como já disse eu não sou uma pessoa boa, eu não tenho amor.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

R.


Certa tarde estava no café como de costume, tomando meu expresso e observando ao redor enquanto folheava um livro, de repente algo me chamou a atenção, um jovem rapaz de olhar curioso, observador. Entra um outro garoto, compra um maço de cigarros e sai, os dois se olham rapidamente, logo o rapaz que estava sentado, meu ponto de observação que a partir de agora chamarei de “R”, sai também do café, não resisti e o segui.
Aquele olhar, tão familiar, sabia o que significava, mas necessitava de uma confirmação.
O garoto subiu a rua e virou a esquerda, logo em seguida R fez o mesmo percurso. Entraram um após o outro em um cine pornô, desses bem decadentes, fiquei parado do outro lado da rua numa lanchonete, não parecia fazer muito sentido para mim, aquele olhar, aquele olhar, a entrada no cine não o explicava, ou será que havia me enganado, será que apenas quis acreditar em um significado familiar a mim? Não sabia, mas resolvi esperar mesmo assim. Pouco tempo depois R sai de lá sozinho esboçando uma certa tranquilidade e satisfação. Estava fascinado por aquela figura, então o segui um pouco mais, ele entrou em um prédio no centro da cidade poucas quadras dali, um residencial, classe média alta fiquei ali em baixo vagando pela rua por algum tempo, depois desisti, fui para casa.
Tentei dormir, não conseguia, aquele olhar... Dia seguinte, quando estava no café, aparece novamente R, ele entra, senta-se numa mesa de frente para a porta, eu para ficar o mais natural possível pego um jornal da mesa e começo a ler, quando vejo uma foto do rapaz que acompanhara R no dia anterior, a reportagem é sobre um assassinato com requintes de crueldade, feito na tarde anterior no Cine Pornô, logo pensei naquele olhar. Os órgãos genitais da vítima haviam sido removidos e não estavam na cena do crime. Eu tinha razão, fiquei excitado com a notícia, mas poderia demonstrar isso, não agora, não ainda.
R toma seu café olhando para a rua, paga a conta e sai, eu o sigo com o olhar sob o jornal, até que ele se distancie, então pago minha conta e saio também. Ele está sentado no banco de uma praça, fico de longe num botequim que me dá um bom ângulo de visão, um rapaz de camiseta branca senta-se ao lado de R, eles conversam por um breve momento e logo saem, o mesmo destino de antes, um cine pornô.
Espero paciente R sair de lá sozinho com aquele olhar de satisfação, e ele sai, tenha paciência penso eu, sei onde ele mora, sei onde ele “caça”, espere o momento oportuno, espere o próximo jornal. É exatamente o que faço, vou para casa me ocupar de qualquer coisa, enquanto penso na melhor abordagem...

RESÍDUO

Ficou um pouco de pó da terra vermelha;
Ficou um pouco de veneno ainda na minha saliva;
Do teu olhar triste sobre mim.
De tudo ficou um pouco,
Dos corpos, dos cheiros;
De loucura, ficou um pouco;
Ainda os frascos vazios de Lexotan, ficou um pouco dos tchaus,
Ficou um pouco de você, que hora sou eu, hora ninguém;
Do doce, do amargo, do bater do coração ficou um pouco;
Do prazer das giletes sob a pele, ficou um pouco;
Fica um pouco ainda do desejo de enfim ir;
Ficou um pouco da trágica comédia da Vida;
De tudo fica um pouco dos sabores amargos e doces;
De tudo fica um pouco, um pouco mais um pouco menos;
Impressas em mim, em ti, no espaço;
De todos os caminhos percorridos, ficou um pouco, um pouco de tudo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A descoberta de Ana

Ana um dia chegou perto deste mundo por meio de um sentimento, estranho a ela como sua própria existência. Mas como tudo em sua vida, ela deixou escapar, nunca soube lidar com o afeto de outro delegado a ela.
Havia sempre uma vontade de fugir, uma incrível necessidade de estar livre, como se qualquer afeto pudesse lhe prender, tinha medo de ser abandonada, por isso fugia, sempre abandonava, sempre, era melhor pensava ela.
Porém Ana certa vez, numa dessas fugas se deparou com algo que ela mesma não sabia explicar, mesmo após um longo tempo longe, fugindo, correndo, se pondo em movimento deparou-se com sua própria imagem diante do espelho e percebeu que era dela que fugia, que não havia um medo real de ser abandonada, mas sim o medo de magoar alguém que ela amava, pois parecia que não importava o que fizesse era sempre isso que acontecia, porém neste dia, Ana descobriu algo novo, pessoas sempre acabam se machucando, se magoando, ir embora não mudava isso, pois isso acabava por magoar ainda mais.
Neste dia Ana descobriu que fugir da dor, só causa mais dor e impede experiências boas.
Foi uma ótima descoberta, mas os estragos que ela havia feito antes disso, permaneceram.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

...



O som do silêncio ecoa em minha alma, em minha caixa craniana, me sinto pequena, vazia, inerte, sem forças ou motivações, tenho que continuar caminhado, mas não sei que direção tomar, então caminho, caminho incessantemente até não ouvir mais o silêncio, até que a dor física ocupe todo o espaço e meu oco coração, sem sangue não se sinta tão inútil.