
Presa dentro de meu próprio corpo, calo-me, calo o corpo, o som, as cores, fico cinza.O mais estranho de tudo é que a ideia que me conforta, que me move é uma ideia de vermelho, de vermelho sangue, na verdade uma ideia mesmo de sangue derramado.
Caminhando na rua passei por uma mulher uma estranha criatura que vinha de longe esbravejando e batendo com força uma revista na mão, como que se batesse em alguém.O modo como ela se movia, o som da sua voz, me irritavam, me desagradavam, quando ela passou por mim, passando bem ao meu lado, muito próximo.Próximo o suficiente para que a lamina fria de minha navalha cortasse sua garganta e aquele pacote de maus modos caísse ao chão, num gemido gutural numa rua pacata do centro da cidade por volta das 14h. Eu segui meu caminho sem mudar de direção, esboçando um pequeno sorriso, nada de morte elaborada para certas criaturas, metal frio corte certeiro, apenas o silêncio tomando forma de navalha em corte profundo.
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