terça-feira, 22 de setembro de 2009

Antes de caos e em meio a ele





Estamos todos sós de certa forma, hoje choro sem motivo aparente, poderia dizer que é um resultado hormonal, mas sei que seria uma desculpa tola, sinto uma angústia desesperadora, tenho vontade de rasgar meu corpo todo, há em mim uma dor ancestral, uma culpa ancestral.
De minhas escolhas, nunca tenho certeza, julgo tudo antes, sinto agora tão certo como há muito tempo atrás que não pertenço a este mundo, minha existência aqui é ridícula e limitada, sou nada. Quero sentir a paz em mim algum dia, gostaria de me sentir satisfeita com algo, estou sempre buscando um não sei que, que está longe, sinto-me pesada, ridícula, solitária. Queria ser feita de uma matéria importante, ter uma causa, um ideal, algo em que acreditar, mas sou um recipiente vazio cheio de espaço que nunca é preenchido. Tento pensar em tudo que fiz na vida até agora e achar algo que me importe, que me queira fazer ficar, mas não encontro, choro sozinha e escondida, bem baixinho em meu quarto para que ninguém saiba, se eu morresse hoje o que teria feito de bom pra deixar, que legado seria? Haveria algum? Não, não haveria, apenas a saudade natural das pessoas que aqui permanecessem. Não tenho filhos, não os terei, não construí nada, nunca estou completamente em nada, mesmo que seja isso que queira, há sempre algo fora que me desperta atenção, então lá vou eu em mais uma busca de não sei o que...alma nômade, se é que eu tenho uma, sou uma ferida exposta, purulenta, que não cicatriza.
Pareço tão bem por fora, que às vezes convenço a mim mesma que está tudo bem. O que me falta? E por favor, não venha me falar de Deus, neste momento minha pele, meu couro cabeludo, não tem sensibilidade alguma, sei que poderia me cortar tranquilamente até que a dor fizesse tudo ficar mais calmo, sei que preciso me controlar, não ceder a estes impulsos, pois sei a proporção a que podem chegar, mas as vezes me parece tão confortável. Há tanta dor no mundo, há tanta dor no meu mundo, acabo de me lembrar que meu estilete, não está mais no meu quarto. De que matéria eu sou feita, de que matéria tão fraca e corrompida, sou feita?
Mandíbula travada, rosto encharcado de lágrimas, sentada na cama, com as roupas que cheguei da rua, escrevendo desesperadamente, na ânsia de que isso possa aliviar a dor, minha pele pede cortes... Cicatriz, maldita quelóide. Paraliso bestificada, diante das coisas que escrevi, minhas mãos pousam sobre o teclado e eu as olho com pena. Não tenho com o que me cortar, me belisco e choro baixinho, paro pra escrever mais essa linha, não está adiantando, cortei as unhas hoje. Por que eu faço isso, por que preciso disso? Preciso escreve alguma coisa incessantemente para manter as mãos ocupadas em outra coisa, como diria Fernanda Abreu “o meu inferno é o céu pra quem não sente culpa de nada”. Não consigo escrever, minhas mãos querem outra coisa... desculpe.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Silêncio




Presa dentro de meu próprio corpo, calo-me, calo o corpo, o som, as cores, fico cinza.O mais estranho de tudo é que a ideia que me conforta, que me move é uma ideia de vermelho, de vermelho sangue, na verdade uma ideia mesmo de sangue derramado.
Caminhando na rua passei por uma mulher uma estranha criatura que vinha de longe esbravejando e batendo com força uma revista na mão, como que se batesse em alguém.O modo como ela se movia, o som da sua voz, me irritavam, me desagradavam, quando ela passou por mim, passando bem ao meu lado, muito próximo.Próximo o suficiente para que a lamina fria de minha navalha cortasse sua garganta e aquele pacote de maus modos caísse ao chão, num gemido gutural numa rua pacata do centro da cidade por volta das 14h. Eu segui meu caminho sem mudar de direção, esboçando um pequeno sorriso, nada de morte elaborada para certas criaturas, metal frio corte certeiro, apenas o silêncio tomando forma de navalha em corte profundo.

Fenix

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

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SEMPRE HA DIAS DE MATAR, MAS EU NÃO MORRO NUNCA