sexta-feira, 31 de julho de 2009

O primeiro sonho




Me encontrava em um quarto, uma cama imensa com lençóis vermelhos, ouvia de longe o uivo de lobos, senti pavor, entrei debaixo dos lençóis e de repente os uivos pareciam quase gargalhadas, ouvi um choro de criança, me levantei e olhei pela janela, era uma casa muito alta e de lá vi debaixo de uma árvore os lobos que estavam em volta de um bebê que tinha embrulhado em seu corpo apenas um pano branco, os lobos fizeram um círculo e atacaram a criança que nem teve tempo de gritar, tão rápida foi estraçalhada pelas feras e o tecido branco que o envolvia agora era tinto de sangue. Apavorada voltei para a cama cobri a cabeça e tentei entoar alguma canção alegre, de repente senti um agradável cheiro de flores, descobri a cabeça e lá estava diante de um jardim imenso de flores amarelas, liláses, brancas, azuis,tantas cores, eram flores delicadas e seus pés tinham a altura de um milharal,fiquei maravilhada com tanta beleza, então olhei para baixo e vi que havia um caminho de pedras estreito, como uma passarela, comecei a acompanhá-la então avistei uma pequena parede de pedra que estava na encosta de um morro, fui me aproximando e quando estava diante da parede vi um facão sujo de sangue jogado ao chão, e essa parede era na verdade um local de sacrifícios, desses de rituais, fui chegando mais perto e então encontrei nas reentrâncias das pedras uma cabeça Humana, seu coração havia sido arrancado de seu corpo e colocado em sua boca, logo abaixo havia uma fenda pela qual escorria o sangue, segui com os olhos aquele pequeno córrego de sangue e percebi que ele ia diretamente para o chão do jardim, então o cheiro mudou, senti um frio na espinha, e ao me virar para o jardim vi que ele na verdade era um campo de empalados, centenas de corpos. O cheiro deste novo jardim era de carne putrefata.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Fuga nº II Mutantes (1969)




Hoje eu vou fugir de casa
Vou levar a mala cheia de ilusão
Vou deixar alguma coisa velha
Esparramada toda pelo chão
Vou correr num automóvel
Enorme, forte, a sorte, a morte a esperar
Vultos altos e baixos
Que me assustavam só em olhar

Pra onde eu vou, ah
Pra onde eu vou, venha também
Pra onde eu vou, venha também
Pra onde eu vou

Faróis altos e baixos
Que me fotografam a me procurar
Dois olhos de mercúrio
Iluminam meus passos a me espionar
O sinal está vermelho
E os carros vão passando
E eu ando, ando, ando...
Minha roupa atravessa
E me leva pela mão
Do chão, do chão, do chão...

Do meu segundo contato com a morte

No meu segundo contato com a morte, sim porque ouve um primeiro, morte que eu causei...
...me lembro de ser alguém que executa o que é necessário, sem questionar muito ou pensar antes, depois sim , nunca antes, para não correr o risco de não executar, se havia uma cobra no quintal ou se era necessário retirar uma aranha ou rato de dentro de casa, eu o fazia sem hesitar. A morte para mim sempre foi algo natural, quando soltávamos as galinhas no quintal para que comecem os escorpiões, ou mesmo quando pescávamos lambari e os limpávamos para comê-los quando crianças.
Pois bem, do meu segundo contato com a morte, não me lembro de muitas sensações, mas me lembro das cores, criávamos porcos para vender, tanto vivos quanto mortos e limpos, sim porque nem todos conseguem ver a morte assim de frente, é necessário que existam outras pessoas para fazê-lo, tornando assim os outros menos assassinos. Eu sempre ajudara nessas tarefas, limpava com água fervente a pele do porco morto para retirar os pêlos com o auxílio de uma faca, cortava as carnes afim de separá-las, jogava terra sobre o sangue no chão para evitar moscas e também a má impressão a quem visse.
Naquele dia , coloquei as botas e prendi o cabelo como de costume, seu Antônio já havia amarrado o porco que berrava deitado no chão, então ele me deu a faca, uma faca pontiaguda e longa e me disse mostrando no animal onde eu deveria cravar a lâmina, empunhei a faca e enfiei com força no bicho, no primeiro contato parecia uma carne resistente, meio grossa, depois não, depois ficou macia e a lâmina entrou completamente, o porco berrava muito mais agora, eu só queria fazê-lo calar. O sangue muito vermelho jorrava da fenda e caía por sobre sua pele cinza, atingindo o chão que também se tingia, seu Antônio me avisou que eu havia furado no lugar errado, então comecei a procurar com a lâmina o local certo, porém, não a tirei de dentro do bicho que começou a berrar muito mais.
Seu Antônio tomou a lâmina de minha mão e disse:
- Assim não - então procedeu como se deve e logo o bicho silenciou.
Sua língua estava para fora, de um canto da boca, ainda com um pouco de espuma.

Porque a tristeza existe de fato

Quando há uma dor em mim que não sai, não sai em lágrimas, num grito ou em qualquer outra forma, está contida ali, presa. Represada, enchendo meu corpo como um gás. Sobe até a cabeça ameaça sair pelos olhos pelas narinas, mas volta, desce ao peito, o infla como se fosse explodi-lo e então se alastra por todo o corpo, vai á ponta dos dedos. Faz quase doer a pele na ânsia de sair, não sai, fico como uma garrafa de refrigerante quente que foi agitada pela mão de uma criança.
Sinto e aceito, sou sensível, sensível de mais, quero sempre acertar e quando claramente erro, me sinto menor, isso é algo com o que tenho q trabalhar. Não posso ser tão atingida assim, não quero estar tão vulnerável assim.
Preciso chorar hoje, preciso realmente chorar...
Sem explicações do que houve para isso, apenas porque sou humana, ao menos parte de mim é.

Sonho sobre traição

Tarde quase noite, uma jovem de aproximadamente 14 anos está em seu quarto, deitada em sua cama, negra, bonita, boca grande, fala de seus sonhos e do carinho pelo pai, que lhe promete o mundo e ela, sempre acredita, está olhando para mim e suas palavras saem suaves, neste momento há outra cena, o pai está entrando em outro local, vejo a ruazinha escura de chão batido e ao fim da rua uma casa com uma outra jovem quase da mesma idade da primeira, talvez mais nova, o pai então entra, a garota lhe sorri um misto de ingenuidade e sensualidade, neste momento percebo que é ela, a amante, a que recebe os presentes e o concreto e não os sonhos e promessas.

Sonho sobre assassinato

Um travesti, uns 35 anos, alto, 1,80 aproximadamente, loiro, meio calvo cabelos lisos até a altura dos ombros largos, rosto meio quadrado, olhos claros, boca larga e não carnuda, vestidinho vermelho frente única decotado, rodado na parte da saia, pernas grossas, um pouco musculosas, mas não muito. Sai à rua para fazer ponto, apesar de corpulento e ser reconhecido facilmente como homem , tem um andar muito leve, meio felino. No caminho para as ruas, enrosca o salto da sandália branca e cai numa parte do asfalto que está com as pedrinhas soltas, cai ao chão, machucando um pouco os joelhos que ficam ralados e com pontinhos de sangue bem pequenos aparecendo. O rapaz levanta-se e bate a roupa que ficou um pouco suja e os joelhos e continua seu destino. Chega ao local, uma quadra de esportes dessas de bairro, pouco iluminada e para, coloca a bolsinha apoiada no antebraço e espera calmamente. Chegam alguns rapazes, uns 5 + ou -, jovens e fortes, cercam o rapaz e começam a bater-lhe, ele cai ao chão, levanta-se e se arruma da mesma maneira de quando havia caído sozinho na rua, ajeita o cabelo e limpa o sangue do rosto delicadamente, como se nada tivesse acontecido, outros golpes sucedem o primeiro e tudo se repete da mesma forma, então um dos rapazes diz que agora estão prontos pra fazer o programa, não há raiva ou medo nos olhos do travesti, na verdade não há expressão alguma, ele simplesmente vira-se levantando um pouco a bunda para o lado deste rapaz, que quebra o fundo uma garrafa de cerveja que segurava na mão coloca no ânus do travesti a parte quebrada e chuta com força, o sangue jorra escorrendo-lhe pelas pernas, logo em seguida o jovem saca uma faca, na verdade uma espécie de punhal com uma lâmina muito grande e meio curva, introduz no ânus do travesti e corta-o em direção a barriga, fazendo um enorme corte do qual sai todo o intestino que cai ao chão em mais uma dança de sangue e tripas.

O primeiro passo

Esse é o meu primeiro passo em linhas, ao menos em torná-las públicas
Algo em mim clama por sair, algo que não é físico, é quase etéreo, é desejo, angústia, erupção...
Hoje o dia está propício para o tédio apesar de o sol ter mostrado sua existência ainda que fugaz pela manhã. Tudo voltou a ser cinza essa cor que me entristece em vários pixels, que seja, deixe então que a tristeza tome forma fique o necessário e saia, pois é esse o caminho das coisas, o meu caminho. Eu quero apenas uma coisa...
...ter asas.